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Archive for janeiro \31\UTC 2010

PP - As Estrelas

As Estrelas
por Olavo Bilac

Quando a noite cais, fica à janela,
E contempla o infinito firmamento!
Vê que planície fulgurante e bela!
Vê que deslumbramento!
Olha a primeira estrela que aparece
Além, naquele ponto do horizonte …
Brilha, trêmula e vívida… Parece
Um farol sobre o píncaro do monte.
Com o crescer da treva,
Quantas estrelas vão aparecendo!
De momento em momento, uma se eleva,
E outras em torno dela vão nascendo.
Quantas agora! … Vê! Noite fechada …
Quem poderá contar tantas estrelas?
Toda a abóbada esta iluminada:
E o olhar se perde, e cansa-se de vê-las
Surgem novas estrelas imprevistas
Inda outras mais despontam …
Mas, acima das últimas avistas,
Há milhões e milhões que não se contam …
Baixa a fronte e medita:
— Como, sendo tão grande na vaidade,
Diante desta abóbada infinita
É pequenina e fraca a humanidade!

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O Mais Triste do Mundo

A felicidade é um truque, uma ilusão, uma desesperança. Como não cansam de repetir os poetas e os chatos, é breve. A cada “conquistar” de alegria, surge sempre uma nova necessidade não disfarçada. E vamos levando isto muito a sério: vivemos uma época em que temos a sensação de que somos obrigados a ser sempre felizes, feito numa compulsão… devemos ostentar a todos o sorriso. As pessoas tristes são indesejadas, vistas como completas fracassadas. Algumas chegam a ser pisadas. Por isso, a doença do momento é a depressão, e este momento já dura uma década ou mais. Ela é o mal de uma sociedade que decidiu ser feliz a todo preço – como afirmou o escritor francês Pascal Bruckner, autor do livro “A Euforia Perpétua”. Muitos de nós estão fazendo força demais para demonstrar felicidade aos outros – e sofrendo por dentro por causa disso. Felicidade está virando um peso hasteado: uma fonte de ansiedade terrível.

Felicidade, por definição, é um estado no qual não temos vontade de mudar nada. Ou seja, se passássemos tempo demais assim, nossas vidas estacionariam – semelhante ao que acontecera com os habitantes da Cidade Mais Feliz do Planeta. Portanto, um pouco de ansiedade, de insatisfação, é perfeitamente saudável. Ainda bem que a felicidade é temporária, não?! Nestes termos… Pois é a busca dela que nos empurra para frente.

Muita gente acredita que é possível viver uma existência só de altos, sem nenhum ponto baixo, sem tristeza, sem sofrimento. E alguns estão dispostos a conseguir isso sem esforço algum, só à custa de antidepressivos. Mas se “a vida é sofrimento”, já se dizia num dos preceitos de alguns religiosos, em especial os budistas. Os cientistas apenas confirmam. Ter a consciência de que tal emoção é inevitável, pode ajudar. Sim, isto mesmo! Saber que o sofrimento é certo, pode trazer a felicidade, ao passo que diminui certamente a ansiedade. Com o sofrimento, a felicidade não vem adida, porém quando temos o conhecimento antecipado da chegada de uma dor, damos tempo para a aceitação, adaptação… e, pelo menos assim, a tristeza se abranda. Convém lembrar também que não há sentimentos, nem bons nem ruins, que durem eternamente.

A felicidade não é um fim em si, e sim uma conseqüência do jeito que você leva a vida. As pessoas que procuram receitas e respostas complicadas para ela acabam perdendo de vista os pequenos prazeres e alegrias. E, novamente, um pouco de ansiedade, de insatisfação, é perfeitamente saudável!

Low, 29 de janeiro de 2010.

Referência: Revista Super Interessante, abril de 2005. A Ciência da Felicidade.

 

KY - O Homem Mais Triste do Mundo

 

Agora iremos à leitura de um soneto. A poesia feita pelo meu amigo e colaborar no blog, e a qual está dando título a este artigo:

 

 

O Mais Triste do Mundo
Thúlio Jardim, 18 de junho de 2009.

Em seguida a perda, um extremo desânimo duma dor extraordinária
Da angústia sem fim que no peito se avulta demais dolente
Num progredir para se tornar a presença mais-que-ordinária
Confesso que jamais tive, em época qualquer, esse ultra-sofrer…

Que não morre, quer vir a ser a prostração tão permanente
Como o porro da solidão que cresce em toda decadência e dilúculo
Uma consternação de tal modo, porra, quem é que entende?!
E que sou, assim, quem sabe, o mais triste do mundo…?

Tira-me veloz a vida, não abandonada dum choro largado, terrível
Que qual respiração, na fossa, fez-se tanto inexeqüível
Assim como já não posso ter parras alegres a esta altura…

Meter-me-ei de vez em um sepulcrário amaldiçoado e distante
Próximo de nenhuma alma viva ou criatura amante
Que me faça lembrar daquele amor perdido, falso e vagabundo.

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Seriam Nuvens Apenas?

temporada de feriados respeitantes ao natal de 2009 e ao ano novo de 2010 se aproximava, quando eu – em Recife – estava a tomar alguns goles do meu café, como sempre faço durante o expediente de trabalho. A época festiva fora planeada por mim para ser algo doce e alegre, bem diferente dos anos ruins anteriores, que deixaram muito a desejar e se assemelhavam ao acerbo saibo do café quando não é açucarado.

Tinha feito promessas muito poucas, mas não tão fáceis de serem cumpridas! Tinha bolado um acervo de coisas loucas, para dizer aos ouvidos da minha namorada querida… Realmente, ficava feliz só de conjecturar estar ao lado da garota de quem mais amo. Talvez, por isso, o surto de contentamento e o andar absorto eram meus e algo certo de se ter.

De modo inelutável, até de forma que não poderia afirmar que algo ruim não pudesse vir a acontecer…, eu estava solto de mim – exteriorizava o meu olhar de prazer. Havia dado um salto, naqueles minutos, para me achegar numa cidadelha do interior de Pernambuco – local onde vivi por mais de uma década! De sorte, minha velha memória traria o aroma da terra, o sopro do rio Pajeú no peito e a imagem linda do açoutar do sol a bronzear a pele branca e nua, igual à lua, daquela que me deixava de queixo no chão e tirava toda a minha atenção e o meu jeito fuá.

Falar dela é sempre uma felicidade, uma aspiração e inspiração ao mesmo tempo. Porém o assunto aqui será outro. Vou logo acautelando para você que as aparências às vezes enganam, mas chegaremos a este ponto mais adiante, depois que você olhar fixo a imagem a seguir.

 

KY - Nuvens e Vegetação

Quando vejo belas texturas e cores sutis, elas me agitam para fora de uma rotina e são o chamariz da minha criatividade. É quando eu aplico as aurículas para o som da natureza, envolvente, longe daquele ramerrão que acontece no trabalho ou na cidade. Um pouco infundido pelo estro, torno-me mais feliz e me surpreendo bastante com o que eu sou capaz. Não demora, vem um fruto que me exulta. Sai, inevitavelmente, uma poesia bem bonita – chafariz de palavras que diz o que estou a sentir…

E as texturas então dessa primeira imagem?! A impressão que eu tinha era a de estar olhando para a capa de algum disco de uma banda dos anos 70, pintado psicadelicamente… Mas o que é, afinal?

Seriam nuvens apenas? Negativo! Talvez uma fotografia aérea delas ao longo de um manguezal tropical…? Nada! Quem sabe um extremo close-up da textura requintada de uma Lã com Cashmere!? Nananinanão…

Na verdade, tenho vergonha em admitir, isto daí é o que eu encontrei dentro da minha xícara de café que utilizo no trabalho, quando do regresso ao serviço em 04 de janeiro. [Para ser mais franco, foram dois dos meus colegas – Charles e Amara – que encontraram…]

 

KY - Café e Fungos

Verdadeiramente repugnante, e ainda assim belo e estranho.

Eu sei que é superficial a trama. Mas por que é tão surpreendente?! Qual o porquê de tantas cores? Algumas partes são verdes, outras brancas, além do amarelo. E como veio parar aí? Teria vindo flutuando no ar junto à umidade? Ou simplesmente “brotou” de algum ser que já se encontrava lá, de forma inóxia? Não fora assim, acidentalmente, que se deu a descoberta da penicilina? Por acaso, eu estava à beira de promover algum grande avanço na medicina? Difícil de dizer…

Se eu tivesse o tempo necessário para encontrar as respostas para estas perguntas, quem sabe…

A única coisa que sei com convicção é de que se tratava de colônias de fungos. Eu cursei quase 3 períodos do curso de bacharelado em Ciências Biológicas, pelo Centro de Ciências Biológicas – CCB – da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Antes de trancá-lo, tive tempo para aprender a fazer tais culturas. E a época ideal é a presente – a do verão, por causa da temperatura. Um lugar úmido ajuda também…

Os “senhores fungos”, conhecidos ainda como bolores, mofos ou cogumelos, estão interferindo constantemente em nossas vidas. Eles são tão importantes que hoje compõem um reino à parte, lado a lado com os reinos vegetal e animal.

A cultura, quando fazia para fins de estudo pela UFPE, era criada passando um objeto estéril num local já “afetado”, que era friccionado-transferido para as placas de Petri (60 x 15mm). Tal procedimento – chamado de esfregaço – tinha por objetivo fazer o fungo proliferar, dando origem às colônias, para que pudéssemos fazer a identificação.

Por meio de preparações em lâminas e observações ao microscópio nos laboratórios do CCB, identificavam-se os organismos baseado em suas características morfológicas. Após o período de incubação de aproximadamente sete dias, discos com micélio de cada fungo eram transferidos para placas de Petri de 150mm de diâmetro X 15mm de altura (sendo um disco para cada placa) contendo Agar. O crescimento radial do patógeno era analisado em seguida, por períodos próprios. Enfim… 

Agora, iremos à curiosa e jocosa maneira de se improvisar uma cultura de fungos em uma xícara de café, como eu fiz sem querer…

Para fazer sua própria cultura:

Vou avisando que você só vai conseguir criar sua própria cultura de fungos se morar sozinho ou trabalhar em algum local propício para o tal experimento, porque senão vão jogar sua xícara fora antes que ele acabe. Aliás, esse é outro aviso. Você vai perder uma xícara, a não ser que tenha coragem de lavá-la depois para reutilizar. Eu não tive. A minha foi direto pro lixo, e olha que ela era novinha. Um tanto irônico foi o fato de que nela havia estampada a palavra SAÚDE, em japonês. Era tão bonita e grande… num plástico muito resistente – presente da chefe, branco feito porcelana. Tava mais para caneco, razão deu batizar desse modo.

Siga os passos:

  1. Faça uma xícara de café quente em grande quantidade, que é tão necessária para te despertar, principalmente se estiver no trabalho. Ativará os seus nervos enquanto usa o computador…
  2. Já tendo feito, em seguida “esqueça” a xícara de café, como você esqueceria, se estivesse bêbado, de ir para casa ao final de uma farra festa. Aconselho a deixar atrás do monitor, se possível…
  3. Daí se distraia completamente (não veja fotos de mulheres peladas, estamos considerando que você está no trabalho, atenção!), depois  vá viajar, tire uma folga! Deixe-a, “profissionalmente”, por uma semana toda naquele lugar, assim como eu fiz durante os dias 30 de dezembro e 04 do corrente mês, quando estava distante, aproveitando o Réveillon a aproximadamente 500 Km da minha cidade natal, junto a amigos.
  4. “Re-descubra” a xícara de café assim que regressar de viajem e for usar o computador novamente.
  5. Pronto! Depois que você olhar bastante, tire umas fotos e jogue a xícara fora, totalmente esvaziada, do contrário a embrulhe em pelo menos 2 sacos de lixo dos grossos antes de fazer isso. O.K.?

 

 

PS 1:

Eu estava pensando em colocar a xícara de volta, para ver se ela se transformaria em algo ainda mais interessante… mas eu não sou tão corajoso! Fiquei com café-fobia por algum tempo, foi um baque, contudo não durou mais que uma semana. Não se assuste com isto, pois não significa que contigo acontecerá o mesmo problema. E se houver, confio que será só por um período curto, bem menor que o meu…

 

PS 2:

Este acontecimento me fez lembrar ainda algo hilário que aconteceu faz quase 10 anos, quando eu morava na casa de um tio, aqui em Recife, no bairro de Boa Viagem. Simplesmente a minha empregada (que eu não gosto de chamar assim, pois é como já se fosse da família…) encontrou um queijo com fungos na geladeira dele e jogou, de imediato, fora!

O que ela não sabia é que se tratava de um Roquefort, uma variedade de queijo originalmente francês, produzido com leite de ovelhas e de massa com consistência cremosa e esfarelada, com casca úmida e sabor acentuado e picante. Queijo o qual, diga-se, é fabricado tal como o das variedades Gorgonzola e Camembert, injetando-se fungos (bolores) na massa, neste caso os do tipo Penicillium, que passa, a seguir, por um processo de maturação de três meses.

São estes fungos que desenvolvem no Roquefort a aparência característica com veios verde-azulados, que lhe dão um gosto especial. Pena que ela não sabia deste detalhe, e mais chato ainda o fato de o preço dele ser acentuado assim como o seu sabor…

 

KY - RSS, Café e Jornal

 

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O Paradoxo da Espera do Ônibus

E aí, caras!? Até que enfim posso postar algo aqui! Estava com muita febre, dores corporais que desciam e subiam pela espinha constantemente, além de um terrível congestionamento nasal que quase me impedia de respirar… Durou tanto tempo que, se não bastasse isso, fiquei em nóia – entenda-se aqui a forma carinhosa deu me referir à Paranóia – de que o Influenza A H1N1 havia me pego e o meu fim estava próximo. Por sorte, eu sempre me engano, quando radicalizo.

Agora que estou melhor, a postagem anterior do meu melhor amigo, fez eu lembrar de um vídeo que tinha visto ano passado e admirado bastante. Seu linguajar simples, seu cenário realístico, sua dublagem perfeita, acredito que servirão também para lhes encantar. Sendo assim, exporei o vídeo ao final deste post, juntamente com o texto dele que se segue após o PS e dentro da tabela. Este eu escrevi indo e voltando o player, o que me deu certamente muito trabalho. Mas foi recompensador…

PS – Percebam que se trata de um filme CÍCLICO, isto é, o fim ainda é o começo. Louco, não? Pois é isso mesmo! E o melhor: foi baseado em várias histórias reais (inclusive a minha, a sua, a de um amigo seu… etc.).

 

KY - O Paradoxo da Espera do Ônibus

– Porra! Não passa ônibus… Pelo o que sei ele ainda circula de madrugada. Mas quanto mais ele demora, também mais perto ele está pra passar daqui, né? Porque se esse tempo todo ele não passou, quer dizer que ele tá vindo… pelo menos na teoria, né? Nunca se sabe, né? Sei lá.

– Eu podia pegar aquele outro que dá uma volta do caralho. Esse sim de vez em quando passa. Mas o meu vai mais rápido. Só que a demora do meu ônibus tá pedindo pra eu pegar o outro. Sem falar que agora não tem trââânsito, o motorista sai voado… Mas a volta que ele dá é perigosa, caminho é sinistro! Pô, mas ficar sozinho aqui também é sinistro. E ainda por cima esse outro me deixa num ponto mais longe que o meu. Eu tinha que caminhar um pouco… Mas também não é muita coisa não. Mas aí tinha a chance de acontecer alguma coisa comigo. Mas ficar aqui sozinho também é foda! Só que eu nem sei se passa aqui neste horário, tenho quase certeza que passa. Peguei ele na quarta… nesta mesma hora. Bom, hoje é sábado. Não sei se ele passa nesse horário no final de semana!… Ouvi dizer que passa, mas ninguém às vezes se engana, né?!… Talvez passe, né? Talvez não passe…

– O foda é se o meu ônibus chegar assim que eu entrar no outro. Melhor eu esperar já que pela demora o meu já deve tá chegando. Quanto mais ele demora, mais tá perto ele tá pra chegar. Quanto mais eu espero, menos vou ter que esperar. Cara, que doidera é essa que eu pensei!? ‘Quan-to ma-is eu es-pe-ro, me-nos vou es-pe-rar…’ Bonito isso! Filosófico…

– Oh! Ó o outro aí… Veado! Corno! Nst! Pego ou não pego essa porra? Pego ou não pego? Pego ou não pego?… Ah, já foi também… Pô! O meu já deve estar vindo, só pode, né? Não é possível que não, né?

– O jeito é esperar…

 

 

Desenho desanimado de Christian Caselli; Desenhos de Gabriel Renner e narração de Chico Serra.

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Egoísta e Calculista

ESTA POESIA É BASEADA EM FATOS REAIS, que se sucederam quando eu saí de casa em direção ao trabalho, hoje pela manhã.

Não é uma das melhores já escrita por mim, porém está entre as mais recentes, verídicas e que foram feitas em menor espaço de tempo. Vamos a ela:

 KY - Parada de Ônibus

Egoísta e Calculista
Thúlio Jardim, 18 de janeiro de 2010.

Hoje eu fiquei puto com o puto do meu irmão
Disse-me que saísse de casa antes dele,
Embora nós trabalhássemos juntos,
Porque, meu caro, ainda iria demorar muito…
Naquela ocasião, a espera de seu carro
Levaria muito mais do que alguns segundos…

Chegando eu na parada de ônibus
Infelizmente, restava-me pouco tempo
E, para piorar, nenhuma condução sequer passava
Quando eu, então, lobriguei próximo a uma lombada
O meu dito irmão que se aproximava
Com pressa, feito uma bala!

Pensava que não havia me visto
Até quando estávamos na labuta
Diante dele fiz um questionamento:
– Por que você não parou para mim, sua porra?!
Se fosse eu uma estagiária ou uma puta…
Não demonstraria similar egoísmo!

Fiquei ainda mais transtornado
Ao ouvi-lo explanar os motivos do seu bispar
Falou-me que sim, tinha me avistado…
Porém, para mim, não poderia parar
Senão também chegaria atrasado
E, financeiramente, nós seríamos dois lesados!

Logo, percebi, que além de consangüíneo egoísta
Ele mostrou a todos a sua face um tanto calculista
Correligionário dos interesses próprios!
Foi um safado! Tal que eu não me importo
Se a imagem dele virá assim tão denegrida,
É para que nunca mais ele me agrida…

Dessa forma, não me permita
Que eu oculte dos outros este meu ódio
Pois agora tanto me açoda!
A falar o quanto foi foda…
A falta de camaradagem…
Que, no meu mano, extrapola!

E não há uma gota
De sentimento, neste cara,
Que me fez perder 1/3 do ordenamento diário
O que já era pouco… agora se esgotara!
Como faço para apagar a mágoa, a dor?
E o meu alto saldo devedor?! Como pago?

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Ai de ti, se esqueces o Haiti…

KY - Charge JC, 17 de Janeiro

O Haiti, onde fica? Não é só aqui nem acolá. Encontrando-se, hoje, em todo lugar… Incorporou-se à humanidade, convertendo-se em dever moral. Era um caos até esta terça-feira (12) à noite, e agora o terremoto o tornou algo pior. Um inferno de magnitude 7 que assolou a região e, apesar deste título, veio para ser na verdade um traço de união entre os 7 continentes – subdividindo-se aí a América em América Latina e América Anglo-Saxônica. O primeiro passo dado, foi por Raul Castro e Barack Obama: Cuba autorizou vôos americanos no seu espaço aéreo em missões de evacuação e socorro às vítimas da catástrofe. Pois há ainda muitos feridos e gente presa sob os escombros. E os que não estão nesta situação precária, mesmo assim sofrem pela falta de alimentos e medicamentos/assistência médica, além de continuarem muitos sem suas moradias. Contabiliza-se cerca de 3 milhões de desabrigados!

Em termos de segurança, a situação do o Haiti é tensa, porém está sob controle. No geral, as pessoas de lá agem de maneira muito digna e calma. Pode ser que aconteçam alguns saques, mas, até agora, as tropas da Minustah, pelo que se sabe, estão conseguindo manter a ordem. O que se insta é toda a ajuda que se queira prestar. Sem luz elétrica, água potável, comida, muitas vezes sem ter o que vestir além da roupa do corpo e sem ter para onde ir, é grande a tristeza. O enleio diante da desgraça que se formara, deixou-nos atentos ao que antes era alheio… mesmo aos olhares mais aplicados. Para acudir tamanha tragédia, os governos, as autoridades internacionais, as organizações não governamentais e os cidadãos de todo o mundo se juntaram, movidos pela compaixão, pelo sentido de responsabilidade política e por imperativos éticos e morais.

Nos escombros da capital haitiana, nas valas comuns onde estão sendo enterradas milhares de vítimas, neste planeta fragmentado e acabrunhado por confrontos intermináveis ressurge o indício da aproximação. Uma aproximação sem pré-condições, sem negociações, sem política e artimanhas ideológicas, feita no impulso da solidariedade! Solidariedade é um antídoto para a dissensão, ressentimentos… é sentimento mais efetivo, eficaz e, sobretudo, mais justo do que caridade e comiseração. Afinal, não adiantaria só a esmola ou a lástima, é preciso e precioso o empenho no socorro urgente. Indispensável a solidariedade, precipuamente! Porquanto ela não hierarquiza, iguala… faz da doação um processo mútuo. Autoestima multiplicada. Serve às religiões, aos crentes e descrentes, devotos e céticos. Resulta em repulsa auto-extinta, diante à pobreza. Somente aos fanáticos, a solidariedade crescente e qualquer tipo de reciprocidade abominam.

Já era merecida uma pausa em nossa atribulada desatenção para com o povo daquela paragem. Sem remoques, estou sendo bastante direto! Muitos de nós recusamos recusávamos a presença daqueles habitantes em nossa paisagem, os vendo como um estorvo ao progresso e, se fosse para nós possível, a reboque os levaríamos para outro local – o mais distante, longe do alcance do globo ocular humano.

O Haiti, muito embora estando no hemisfério norte, permanece um dos países mais pobres do planeta e com uma das maiores densidades populacionais, sendo 90% de sua população de ascendência africana. De tal forma que não é mais concebível desconhecer a trágica condição vivenciada no passado, de miséria e violência, e a imagem que se compusera atualmente, dos destroços, da falta de indústrias e infraestrutura, da carência de lideranças políticas e da sujeição à tutela de outras nações, que nos salta na tevê – em tempo real – e desperta nações entorpecidas para o que deverá ser uma das mais dramáticas operações de salvamento de nove milhões de seres humanos.

A imagem, feita de sangue e lágrimas, está aí, ao vivo, reabrindo feridas de uma história sinistra que começou no século 16, quando uma parte da população nativa foi escravizada e outra morta pelos “conquistadores”. O Haiti, antes, fazia parte de um universo de países riscados do mapa, quase inexistentes. Mas a tragédia inverteu a situação. Nos tocou a todos, e não estou sendo redundante. Quem ainda não ouviu falar deste país?… Realmente, certas coisas que nos atormentavam – e atormentam! – tornaram-se menores, até insignificantes, diante de um mal tão grande como o que golpeou aquele local.

Por fim, pergunto-me por que raios (ou seriam terremotos!?) não antes cuidamos de maneira preventiva desta parcela já tão excluída de “criaturas”? Por que razão se deixam as coisas chegar a tal ponto, apesar destas terem sido oriundas, não neguemos, de um tremor de terra? Será que não nos esquecemos de cooperar também, e por isso sobra-nos a culpa? Você poderia imaginar que a problemática existente lá, seria um tanto menor se fosse aqui? E o que aconteceria novamente, se você, depois de alguns meses, simplesmente se esquecesse do Haiti? Aí de ti, se esqueces! É disparatado! Porque o fato de nós não prevermos a fúria da natureza, não significa que não devemos nos premunir para que as suas conseqüências sejam menos desastrosas… Nem que devamos pôr de lado os mais necessitados!

Thúlio Jardim. Recife, 17 de Janeiro de 2010.

 

 

Referências: Jornal do Commercio, dias 16 (em Opinião Editorial) e 17 de janeiro (Opinião, texto “Onde fica o Haiti”, de autoria do jornalista Alberto Dines).

Imagem: A charge representativa do que escrevi, fora tirada do portal do sistema JC de comunicação, estando rubricada por Ronaldo.

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Melhor O Fenecer!

“[…] Quando a velhice efetuar sua presença amarga, com ela muitas vezes vêm doenças, não raras que te matam. Fazer o quê?… Tornar-te afeito ao fato deste já! […]”

Oi, meu nome é Thúlio Jardim. Eu sou o melhor amigo do Low e também escreverei aqui, algumas vezes. Talvez vocês até se confundam, sem saber quem é que está a redigir em determinado momento, afinal eu e meu amigo somos demais parecidos…

Ontem, o meu tempo foi abreviado. Um tanto frenético, para ser mais direto. Meus pais chegaram de viagem do interior, e a primeira coisa que tive de fazer foram as malas. Não, meu caro, não saí de casa… embora não negue que seria até uma boa, naquela sazão! Fora necessário, pois no meu quarto a minha bagagem ainda estava intacta, desde o Réveillon. Pode parecer inacreditável, ratificação da minha ampla preguiça. Contudo, vejo por outros termos. Apenas não havia razão deu organizar minhas coisas, elas estavam todas em cima da minha cama e, entretanto, nada me impedia de dormir tranqüilo.

A minhas roupas, algumas soltas, também se encontravam junto a objetos e acessórios de valor sentimental. Como meu irmão caçula – aquele sortudo! Estando de férias, não se aquietava em casa um segundo, o quarto dele já era minha posse desde o início deste mês. Enfim, realmente não havia motivos mandatórios para eu pôr as roupas no armário. Até a chegada dos meus pais ocupando o quarto onde eu estava, infelizmente…

Quando finalmente terminei, vi entre uma calça jeans e uma camisa, um debuxo de um texto. Já havia até me esquecido que, pasmosamente, tinha feito algo no dia 01 de janeiro, ainda lá no marasmo da minha cidade… aquela dos tempos da infância. Tentando, nisso, representar o lema que sigo de “corpo velho, mente jovem”. O título, bom… é o que transcrevo a seguir, e permanece idêntico ao que estava de lápis no rascunho amarfanhado:

KY - Corpo Velho, Mente Jovem

MELHOR O FENECER!
(Thúlio Jardim. 01 de janeiro de 2010.)

Tropologicamente, é possível ser sempre jovem, basta querer, foi o que ouvi por aí sem tropeços… Mas, amigo, ser sempre jovem para quê? Não é normal envelhecer?! E se o que me apraz seja apenas viver mais, de maneira plena e talvez discreta, o que me resta e o real? Será que meu pensamento te embaraça?! Os planos que o Senescal traçou há tanto tempo não são outros, nunca foram poucos, e outrora a eternidade virá para mim. Singelamente, sem festa solene ou confetes, é tudo igual (para todos!) no fim. Eu não sou o único com destino “ruim”… compartilho contigo o mesmo papel neste desenho.

Senectude não é o mesmo que decrepitude! E aquela não deveria ser infelicidade para ninguém. Se bem… que concordo que com a idade vêm dificuldades e estas podem trazer dilemas. A questão é sua atitude diante deles. Pois mesmo que você seja um jovem agora a me ouvir, o seu abril passará também. E ainda que isto demore, o seu presente não traz a certeza de que a tristeza não decorrerá perversamente. Não a descarta! E quando o inverno chegar, maiores problemas surgirão na sua casa, além de tristezas… Quando a velhice efetuar sua presença amarga, com ela muitas vezes vêm doenças, não raras que te matam. Fazer o quê?… Tornar-te afeito ao fato deste já!

Dá certa raiva, não? Até brota com força e é fidedigna, por ser resultante do desconhecido que não só choca, como devora o que for fleuma. As cartas que Ele lança na mesa são postas com inteligência, perto ou à distância, não representam apostas sem fundamentos. Saiba disso… Às vezes, são penas que para nós tem um sentido – a expiação que tira a paz, traz seu lado bom igualmente. Todavia saiba sem com isso deixar-te a ser guiado pelo acaso. Erija as pontes para transpor o que se tornar um obstáculo. Tudo servirá para nos ajudar a ser alguém capaz de entender a vida. Melhor o fenecer! Da tolice que se enraíza, da santa ignorância, da bendita estultícia…

Por que o afastamento deste viço tende a ser visto com uma capa de tormento? Se a chegada da vetustade tem lá seu alento!? Nela, a experiência nos aguarda, se faz tocante. A sabedoria nos alcança, é fascínio, mas não significa que fácil. Ah, e a mente! Deixa as lembranças sempre nos guiando para frente. Se fôssemos apenas crianças, imagine-nos sozinhos e sem rumos… Fuçando o escuro deste mundo… Não teríamos prumos e estaríamos certamente em apuros. Nessa vastidão, completamente indefesos.

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