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Archive for fevereiro \15\UTC 2010

Ao Lado dos Doentes

 

“O sofrimento parece pertencer à transcendência do homem; é um daqueles pontos em que o homem está, em certo sentido, «destinado» a superar-se a si mesmo; e é chamado de modo misterioso a realizá-lo.”


Carta Encíclica Salvifici doloris, de João Paulo II

 

KY - Paciente, Paisagem.

 

 

Dado o atual momento histórico cultural, o Papa Bento XVI exortou a Igreja a estar presente de maneira atenta e capilar ao lado dos doentes e na sociedade para transmitir de maneira eficaz os valores em defesa da vida humana, desde a sua concepção até á morte natural. O apelo está contido na mensagem escrita pelo Santo Padre para o XVIII Dia Mundial do Doente, o qual ocorre a esta quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010.

KY - Doutores da Alegria.A comemoração deste dia surgiu “ante a necessidade de assegurar a melhor assistência possível aos doentes”, segundo a voz do seu instituidor, o Papa João Paulo II. Tal que nos toca sensivelmente e de um modo afetivo muito especial o carinho, a compreensão e o apoio expressados, numa fraterna solidariedade, aos que se encontram enfermos, desejando-lhes esperançadas melhoras e o alívio para os seus males. Atitude retribuída pelo apreço diante dos profissionais da saúde e dos que, com eles, muitas vezes voluntariamente colaboram, como as próprias famílias dos doentes – companheiras do sofrimento e da esperança.

Falando da importante tarefa da Igreja de cuidar do sofrimento humano, Bento XVI em sua mensagem citou uma passagem da constituição conciliar Lumen Gentium: como Cristo foi enviado pelo Pai “a evangelizar os pobres… a sarar os contritos de coração” (Luc. 4,18), “a procurar e salvar o que perecera” (Luc. 19,10), de modo a abraçar com amor todos os afligidos pela enfermidade humana; mais ainda reconhecer, nos pobres e nos que sofrem a imagem do fundador pobre e sofredor, a intenta de servir neles a Cristo…

Bento XVI chama a atenção para as “feridas do corpo e do espírito de tantos irmãos e irmãs nossos”, evocando, a este respeito, a parábola evangélica do Bom Samaritano. O seu texto assinala o 25.º aniversário da instituição do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, com votos de que a ocasião proporcionada seja de um “fervor apostólico mais generoso ao serviço dos doentes e de quantos deles cuidam”. “A Igreja a serviço do amor pelos que sofrem”, é o lema. "Não é o evitar o sofrimento” e “a fuga diante da dor” que cura o homem, mas “a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com amor infinito", acrescenta o Papa.

Ele versa ainda – com muito saber – sobre a questão do sofrimento humano, ao assegurar que o mesmo “atinge sentido e plenitude de luz” no mistério da “paixão, morte e ressurreição” de Jesus. O texto papal recorda que a experiência da enfermidade pode tornar-se “escola de esperança”, desde que, como refere o coordenador da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde, os doentes “aprendam a sofrer”.

Já eu – com o pouco de bagagem que carrego – penso não só na dor física, mas também na dor moral, psicológica e na da injustiça. Penso nas vítimas da calúnia, da difamação, da inveja, da intriga malsã, da insinuação torpe. Estou com todos, da forma que posso. E até rezo, mesmo sem saber tanto quanto o chefe da Igreja Católica Romana.

Anseio a saúde, pois é o melhor bem que podemos ter e desejar. Todavia, é justo quando estamos doentes que a apreciamos de forma peculiar e com mais intensidade. A vida desenrola-se com os inevitáveis matizes da doença e é nesta situação que a dignidade e a serenidade devem marcar uma presença forte onde o conforto, o carinho e a amizade são uma constante a criar e a defender. A doença é uma escola de aprendizagem, torno a dizer. Escola de todos! Onde é preciso aprender a viver… incluindo o próprio doente, mas sobretudo lutando pela existência, com paciência e parcimônia, em esperanças e sem esquivanças, sabendo que a enfermidade nos leva à descoberta de infindáveis capacidades para superar os limites da vida no tempo.

Não entra dentro, então, das nossas possibilidades eliminar o sofrimento, posto que ele nos interpele e nos conduza à construção de uma nova perspectiva de sentido, mais amplo e global. A capacidade de aceitar a tribulação e a dor nos leva a uma aprendizagem interior, porque também há aqueles adoecidos na alma. Os adoentados são muitos, se olharmos os números de entubados, intervencionados, ventilados, com bilhas de oxigênio, pre-senis ou dementes, com doenças do esquecimento ou dores físicas e da alma. São vestidos de uma vitória sobre a imanência, naquele instante no qual o presente e a eternidade se tocam e onde o tempo que falta encontra a transcendência que o completa. Com tudo o que isso tem de mistério. E de dor…

Low. Recife, 11 de fevereiro de 2010.

 


Mensagens do Dia Mundial dos Enfermos referentes aos anos anteriores ­– e em vários idiomas – podem ser conferidas aqui;

Download [PDF] das Atividades de 2010: “XIII Dia Mundial do Doente – Dar vida, semeando esperança”.

 

Referências desta postagem:

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Tempocídio

 

KY - Big Bosta Brazil.

 

Cortando todas as minhas chances de participar do Big Brother Brasil 2011 [risos…], escrevo este artigo. Tal programa já é um clássico dentre os da linha reality show o que inclui “A Casa dos Artistas”, “A Fazenda” e “Solitários” – e não se caracteriza exatamente por ter em seus elencos e repertórios pessoas que se destacam por suas performances intelectuais e temas elevados e enriquecedores para os telespectadores.

KY - BBB. Charge Noticia Ruim.Porém, fazendo um desserviço a minha intelectualidade, indo de encontro a minha vontade, tive o desprazer de acompanhar o programa da atual edição do BBB – acreditem, a décima! A ironia e a sátira contidas no apresentador e jornalista Pedro Bial irritam as sensibilidades de qualquer um em pleno gozo de suas faculdades mentais, pois ao assistirmos este, no meu caso aleatoriamente…, comprovamos que ele usufrui de uma cultura que adquiriu só para si.

Tinha jurado para mim mesmo e até para minha mãe que neste ano de 2010 não iria perder o meu tempo comentado absolutamente nada sobre programinhas de péssimo gosto que infestam as tevês no Brasil, aliás, lá fora essas “porcarias” fazem tanto sucesso quanto aqui. Mas os acontecimentos pesam mais do que a força das minhas promessas. Abordar esse assunto aqui no KY pode ser um tempocídio para mim, ultrajante e degradante para muitos, mas vou correr esse risco ainda assim.

Contudo, também não quero ficar aqui nesta horrível mania de dizer mal de tudo e de todos, pois não tolero mais críticas sem sentido e maledicências, as más línguas e o cinismo crônico. Irrita-me muito o habitual de dizer mal pelo prazer de estar do contra. Tão nacional e tão parcial quanto burro. Detesto essa rede de censores encapotados que, de teclado, caneta ou lápis em riste, logo começam à procura do erro fácil, da gralha e da asneira, mal abrem um livro, um manual ou um jornal. Mas, enfim…

Preocupa-me muito o efeito a la “big brother” de tudo ver e tudo controlar que assola o mundo da internet. Detesto esses abutres covardes que dilaceram os textos e se refestelam com a desgraça alheia, disputando as migalhas como despojos de guerra. Aborrece-me a forma vil e repugnante como a mídia, os jornais, o povo, troçam da incompetência alheia e se comprazem perante os seus infortúnios. As pessoas assistem a tudo como verdadeiros ascetas.

Odeio mesmo esses pequenos prazeres mesquinhos do brasileiro de dizer mal do próximo e essa incomoda mania de criticar pelo simples desejo de criticar, como se isso fosse um maldito hobby nacional. No entanto julgo os participantes pelas suas atitudes, os comparando a "bobos num confinamento prolongado" e que buscam um sucesso à custa da perda de suas privacidades por não terem algum talento para mostrar, pela qualidade do raciocínio ou por uma obra. O que reflete esses jovens no programas é que a nossa juventude é tão vazia e apática quanto os músculos e bundas expostas de lá pra lá e de cá pra lá na piscina da casa.

Diante dos fatos e das conversas do povo, vez por outra se escuta Pedro Bial (se eu não estiver enganado…) falar “aos demagogos de plantão…” antes de anunciar os “heróis”. Não ameniza em nada tal discurso, nem mesmo ao se acrescentar o pronome possessivo meus antes de heróis, como ele vem fazendo ultimamente, acho que depois de tanto ouvir as pessoas ironizando a expressão e zombando dele.

KY - Perigo, Rede Globo. Eu e a grande maioria do meu círculo de amizades e leitores do KY, no meio desse mar de lama e chacotas, possuímos uma massa cinzenta crítica e uma estrutura cultural que um bom número de brasileiros que assistem à “Rede Bobo” não têm. Falo isto após receber, por e-mails, mensagens de colegas de trabalho sobre o BBB. Recebi de bom grado e agradeço em especial a Luzimel Arruda pelo envio da maior parte destas, o que abarca um texto, uma poesia e uma apresentação do PowerPoint. Em seguida, também apresentarei um vídeo de uma situação que envolveu uma das participantes do programa presente e que de maneira criativa está sendo satirizada.

Faço minhas as palavras transcritas naqueles e-mails, e começo pelo trecho da poesia de Antonio Barreto¹ – cordelista nascido nas caatingas do sertão Baiano, em Santa Bárbara. Para vê-la na íntegra, clique sobre a imagem que vem acompanhado-o. Prontamente, mostrar-lhes-ei isso e o que mais tiver em mãos:

 

E-mail 1 – Retrocesso em Cordel.

BIG BROTHER BRASIL, Um Programa Imbecil. 
Antonio Barreto¹ – Cordelista natural de Santa Bárbara/BA, residente em Salvador.

KY - Cordel do BBB 10. Um Programa Imbecil da TV Globo.

“Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

[…]

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

Salvador, 16 de janeiro de 2010.

 KY - BBB, Um Programa Imbecil Clique na imagem para ampliar.

 


¹ Barreto é professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente. Graduado em Letras Vernáculas e pós graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira.  Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia. Possui incontáveis trabalhos em jornais, revistas e antologias, com mais de 100 folhetos de cordel publicados sobre temas ligados à Educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa, além de vários títulos ainda inéditos. Ele também compõe músicas na temática regional: toadas, xotes e baiões.


Complementando este ótimo poema, trago um excelente texto – levemente alterado – do outro e-mail recebido, cujo autor é desconhecido (quem souber o nome, por favor indicar):

 

E-mail 2 – Vergonha e Indignação.

BBB 10
A Vergonha…

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe…) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assisti-lo naturalmente, e ver este programa ao lado dos filhos sem constrangimentos.

Gays, lésbicas, heteros… todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como incansavelmente são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB 10 é  a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis!? São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados..

Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns) [A apresentação de PowerPoint é em homenagem a ela.].

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou  ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou serem comprados mais de 5..000 computadores.

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um artigo de Jabor, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa…, ir ao cinema…,  estudar…, ouvir boa música…, cuidar das flores e jardins…, telefonar para um amigo…, visitar os avós…, pescar…, brincar com as crianças…, namorar… ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

Autor Desconhecido

 

Apresentação de Slides do PowerPoint para Download:
Mídia e BBB.

Agora, “vamos dá uma espiadinha…”:

 

 


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Ontem foi o meu aniversário. Hoje, a idade pesa, os números pesam, então eu penso: "Nossa! Fiz 25 anos, meu Deus, e nem tive tempo pra raciocinar nisto direito…". Mas não me sinto assim tão velho, a bem da verdade, e acaba que esse dia agora me parece legal, tem festa (mentira!), tem gente te parabenizando, tem presentes (mentira!), mensagens até no Orkut, Facebook e outros tantos. Contudo, eu fico voando em meio a isso tudo. É difícil explicar… Primeiro, que eu não sinto tanto o tempo passar e ainda acho que os relógios pararam de rodar bem lá atrás. Quando toco neste assunto, fico ainda mais ansioso, entretanto, não mais que com o meu futuro – que parece, a cada dia, mais curto.

E se depois começo a contar a vida em anos, empiora. Tenho a sensação de que ela é muito mais breve, timbro a morte, e confesso entretanto que lá no fundo tenho a convicção de que vão descobrir algo que faça "o tempo parar" e que não vamos mais envelhecer, nem apitar o final tão cedo…

Há quantas sextas-feiras você vai a festas de crianças, festas de 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14 anos? Quantas vezes você já cantou "Parabéns a Você"? Alguma vez já perdeu todo o sentido pra você? Por que "Parabéns a Você"? Por que, em toda festa, o tradicional "Parabéns a você" é seguido, quase que infalivelmente, pelo "Bolo e Guaraná" da Xuxa? Tradição…? Desde quando a Xuxa é uma tradição…? Quantas vezes nós (desculpa te incluir, “não quero” falar mal de você…) já saímos de festas de aniversário falando mal de pessoas, reclamando da vida mais uma vez, tendo a sensação de “dever cumprindo”. Nossas festas de aniversário são um dever a ser cumprido? O que é mais importante nessa vida, realmente? É você amar seu sobrinho, seu filho, sua mãe, seus tios, seus amigos sem ter que comparecer às festas de aniversário, ou comparecer a estas festas, necessariamente? Se escolheu a última alternativa, então, vive de protocolo! É o que você está me dizendo.

Sinceramente, para mim, isto é desprezível. Me importa saber por que razão, quando nasci, era tão lindo e charmoso (todo bebê é! Não!?) e, na sazão daquela hora, porque justo a mim me coube ser eu? E o choro que veio ao nascer, por que veio e também agora? Estava tão bem… Bem, só consigo lembrar mesmo de Shakespeare, quando disse: “Choramos ao nascer porque chegamos a este imenso cenário de dementes”. E concordo com ele! Mas continuo sem a resposta da primeira interrogativa, que é a mais importante. E aproveito para, “colocadamente”, chamar tua atenção numa outra: – “Por que afinal nascemos AQUI, neste mundo de imundícies?”.

O que você pensaria de uma pessoa que tentasse usar um chapéu de palha como panela? Ou uma garrafa como martelo? Ou que vivesse toda a vida sem saber para que fim ela se destinava? Caso você ainda seja egoísta, não acreditará em nada que eu responda, e continuará do seu lado da barca – aparentemente mais limpa e bonita. Talvez até seja mesmo, mais limpa e bonita do que AQUI. Isto para disfarçar a realidade bem abaixo dos teus olhos, das profundezas obscuras e nunca visitadas por ti. Merecia uma única tapa daquelas bem dadas pela senhora verdade! Em vez de continuar se tapeando sobremaneira. Como eu acho humilhante apanhar de uma mulher, deixa então que eu faço isto por ti, digo por ela, pela verdade!…

Enquanto não orientarmos nossa vida em direção ao fim para o qual ela foi criada, seremos como aquele chapéu em cima do fogo, ou como a garrafa usada como martelo. Destruiremo-nos a nós mesmos, sem encontrar satisfação nem realização…

Em artigos anteriores, eu cuidei em dar uma tônica de conformismo diante à tristeza ou à velhice, mas no que concerne a elas serem inevitáveis neste universo! Ao tratar delas, contraditoriamente, eu até me alegrava e vinha que sou jovem e ainda tenho muito a viver… Porque afinal de contas se não fossem elas, o homem não tinha escapado das mazelas advindas da inação. E são as lembranças que nos fazem pensar como melhor agir adiante. Tiram-nos parte do peso da ansiedade e das lambanças que vem da dor vivenciada ou da idade. O homem é muito frágil e esta fragilidade seria um prato cheio, se o homem não soubesse adiantar-se. Proteger-se e aos seus rebentos.  Mas, por isso, cabe mais uns de tantos outros questionamentos que farei ainda neste Blog: Por que somos tão frágeis?  Por que precisamos nascer tão imaturos?  Por que não estamos adaptados à sobrevivência logo ao nascermos, por exemplo?

Parando para observar um recém-nascido (aliás, estou tornando-me um especialista nessa arte), constatamos que a criança ao nascer exibe uma fragilidade sem precedentes.  Necessita de inúmeros cuidados maternos que foram aprendidos ao longo da trajetória do homem desde o seu aparecimento até hoje.  Exibe reflexos típicos da idade e mal consegue equilibrar o olhar que parece perdido no tempo.  Sua estrutura óssea apresenta-se sem nenhuma resistência, com o crânio não totalmente fechado e o pescoço sem manter a postura típica.  Não teria a menor chance de sobreviver se não fosse a proteção dos pais; se não fosse a bondade dos pais em fornecer-lhe o alimento essencial para a continuidade da vida. Aproveito para manifestar, assim, os meus agradecimentos a estas figuras que são inigualáveis…

Alguns fisiologistas, entretanto, interpretam este excesso de cuidados como um exemplo de imaturidade.  Caso os bebês humanos pudessem passar mais tempo em processo de amadurecimento, seria provável que não precisassem de tantos cuidados. Assim como acontece com outros espécies animais, na natureza. Os predadores, a modelo, já treinam as primeiras caçadas, arriscando-se, inclusive, em aventuras solitárias!

Os evolucionistas, por sua vez, comumente rejeitam quaisquer explicações que de alguma forma lembrem que os criacionistas existem e, contudo, diante destes fatos até eles são obrigados a reforçar um pensamento na crença em Deus.  Não seria possível existir tantos fatores que se completam participarem eqüitativamente desta fantástica aventura da vida, sem Ele.

Enfim, tudo aqui que estou a falar quer fazer você entender, de maneira séria, a questão existencial nº 1 – “Por que nascemos?”. E também de jeito mais ou menos engraçado, mais ou menos desleixado, mais ou menos relevante, fixar bem a imagem do que vem/virá a ser o “Kara Ystúpido”, que ainda está engatinhando, mas tem suas mãos dispostas a engatilhar e disparar veracidades, mesmo aquelas que tragam tristezas… àqueles que são intolerantes a quaisquer “dorzinhas”.

Ninguém sabe que porcaria está fazendo no universo, neste planeta em que nem teve o direito de escolher se queria mesmo estar aqui, ou ser um daqueles microorganismos que vivem em Marte. Dúvidas assolam a humanidade desde os primórdios, desde que vivíamos em cavernas. Mas não se preocupe, vou responder a todas elas, de acordo com a sabedoria milenar que herdei do grande mestre Pai Mei, que me orientou na minha jornada pelas montanhas da Patagônia. Fique ligado(a) no Blog, essas e outras questões altamente perturbadoras serão respondidas, como disse, e então você poderá caminhar para a luz. Por que amamos e sonhamos? Por que vivemos e morremos? O que há do outro lado? E por que pagamos tantos impostos?! [Esta última veio com exclamação pois é a mais injusta e difícil de responder. Suponho que terei um grande trabalho…]

A primeira questão: por que nascemos?
Preliminarmente, acredito que esta é uma pergunta que deve ser respondida pelos seus pais. Assim, se você não sabe essa, é por que não tinha um bom diálogo com eles, e como essa possibilidade existe, vou fazer o favor de lhe explicar. Ou melhor, não… é constrangedor, vou passar o link direto de onde achei o conteúdo destes dois últimos e “ácidos” parágrafos: Diamante Bruto ­– auto-ajuda grátis. Aí você encontrará uma das melhores respostas à questão, pelo menos na visão do Pai Mei. A minha é um pouco mais discreta e circunspecta, eu acho. Para diante, nas próximas postagens, iremos a ela. Já escrevi muito aqui, se não parar… o texto ficará enfadonho demais para ser lido.

 

Agora vou ir direto ao ponto, e te dizer como, quando e onde surgiu o “Kara Ystúpido”!

COMO: De uma vivência própria que é difícil explanar somente por palavras e compreender. De uma pruria que eu senti em um momento em que estava nascendo de novo, literalmente. Amiúde, senti angústias durante boa parte da minha história, e lá, naquele lugar, elas eram bem maiores! Foi quando percebi, de maneira apaixonante, que eu não estava definitivamente sozinho. Havia alguma coisa comigo, e não posso explicar quem ou o quê, nem como chegou ali. Mas havia…

QUANDO: Apareceu a idéia logo após esta sensação. Não sei ao certo se era noite ou dia. Sei o mês, que era o mesmo do meu nascimento – fevereiro. Não havia um relógio por perto e minha visão não estava boa, naquele dia. Sei apenas que via um rio através da janela, esta que aparentava ter um vidro fumê (talvez apenas fosse noite…) e, depois, quando sai de lá, soube que se tratava do Capibaribe, aqui no Recife. O ano era 2008, porém só inaugurei este blog apenas agora – em 2010 – em parte porque foram necessários muitos meses para eu me recuperar por completo…

ONDE: A cidade é a capital de Pernambuco, vocês já sabem. Falta detalhar melhor o local: era o último andar de uma ala de um Hospital. A ala destinada a pacientes críticos… Fora uma semana em que eu não estava dormindo de modo algum. E se estava, não percebia. E se percebesse, deduziria logo que se tratava de sonos leves – do estágio 1 – com múltiplos despertares por minuto. Sedativos e analgésicos certamente me impediam de ter um sono verdadeiro, assevero.

Quando melhorei fisicamente, psicologicamente ainda acreditava que nunca mais seria feliz. Nunca mesmo! Por sorte, subestimei o poder de superação que há em cada ser humano, diante das vicissitudes da vida. Hoje, ainda digiro o fato, por isso falo pouco dele. Não há momento certo para falar disso abertamente, não há o momento mais ou menos apropriado para expor este caso particular. Mas haverá “o MEU momento”, que não precisa demorar… porém será num tema porvindouro.

Este meu Blog surgiu de uma dor inesperada (sim, existem aquelas “esperadas”!). E veio para ser tornar um ansiolítico e um paliativo para o que me causa sofrimento. Não procuro nele a panacéia para todos os meus males; Mas, pelo menos, lenifica uma parte destes, estou convicto. O “K” e o “Y” foram escolhidos adrede. Substituíram o “C” e o “E” de “Cara Estúpido”, para denotar estrangeirismo. Como sou um tanto patriota, acho o estrangeirismo uma forma de trazer ironia ao conteúdo aqui transcrito. Lembra-me a canção “Retrato de Um Playboy”, de Gabriel O Pensador. Extremamente irônica e ardilosa.

É difícil tornar simples o que vem a ser este Blog, que traduz o implexo. Explicar delimita, e eu não quero. É pertinente, mas, falar que KY também é o nome de uma invenção da Johnson & Johnson – também conhecida como K-Y ® – que serve para “esquentar” a relação amorosa [risos…]. Não poderia faltar esta na relação, não é!?

Perceba que, além disso, existe um duplo-sentido na palavra “Kara Ystúpido”, quando escrita na barra de endereços. Ao fazer a junção <karaystupido.blogspot.com>, temos um novo significado para mencionar. Fazendo nova separação “silábica”, temos as palavras “Karay” e “Stúpido” no lugar. De acordo com o que me disse um amigo e ex-colega de trabalho, isto seria o mesmo que “Pau Grande”. Eu apenas ri na hora, não havia pensando em tal adjetivo…

Muitas outras razões me fizeram escolher este título, como a originalidade e o fato de “Ystúpido” lembrar “Estampido”. Todavia, é melhor (e mais sensato!) parar a ladainha, muita gente não tem paciência para ler um folheto tão grande como este está ficando. Falarei mais outro dia.

Por fim, fiquem com um vídeo que “RESUME” bem como nasceu este Blog. Assistam-no até o final, por favor, é importantíssimo! Um belo curta francês sobre um homem que tinha fobia de atravessar portas: http://bit.ly/9EsD8s. Se preferir, visite o site oficial da animação, que é o http://www.getout-lefilm.com/extrait.html.

 

  

 

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